8 Dicas para Separar Contas Pessoais e do Consultório

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8 Dicas para Separar contas pessoais e do consultório

Como começa o descontrole?

Quando se trata de profissionais liberais ou microempreendedores, uma das coisas mais comuns que observamos é a mistura da gestão financeira da empresa, clínica ou consultório com as contas pessoais de quem está por trás do negócio.

Tratando especificamente de profissionais da área de saúde, não é raro encontrar pessoas qualificadas, que tem boa reputação no mercado e são muito seguros do trabalho que desempenham, mas que apesar disso enfrentam problemas financeiros. Normalmente há um grande esforço no aprimoramento profissional, mas pouco interesse na organização e gestão saudável dos ganhos. É raro encontrar algum médico que saiba o quanto o seu consultório fatura em média, o quanto ela custa mensalmente e tão pouco o quanto ele gasta em casa.

Como o negócio é próprio e normalmente há um aporte de capital pessoal no início do trabalho, muitos não veem problema em pegar dinheiro do caixa da empresa para pagar o supermercado e usar a conta pessoal para pagar fornecedores do consultório.

A distinção das despesas da pessoa física da pessoa jurídica não é fácil de ser feita, e a diferença entre as duas é bastante sutil. Mas fazer essa separação pode significar a sobrevivência do empreendimento.

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8 Dicas para Organizar e Separar as Contas Pessoais e do Consultório

Para iniciar essa organização listamos abaixo algumas dicas importantes:

  1. Coloque todas as contas na "ponta do lápis", tanto da empresa quanto pessoa física. Esse é o primeiro e mais importante passo para iniciar essa organização. Hoje existem diversos tipos de aplicativos e softwares que podem auxiliar nesse quesito: Conta azul, Guia Bolso, Minhas Economias e Money são alguns que podemos citar. É fundamental que ao final de pelo menos 3 meses, você saiba responder:
  • Qual a sua média de faturamento mensal. Mesmo que o faturamento varie bastante, é importante identificar até essas oscilações para estabelecer um capital de giro adequado;
  • Qual a sua média de gasto mensal na PJ. Sem essa informação não é possível saber quanto o negócio pode gerar de renda para o profissional;
  • Qual o seu custo médio de vida. Só assim será possível identificar se essa renda será necessária para manter o seu padrão de vida e o nível de gastos pessoais. Ajuste o seu orçamento à realidade da empresa, se necessário. Não ter essa clareza e retirar mais do que a PJ pode pagar é o primeiro passo para o fracasso.
  • Quanto custarão seus desejos de consumo. Nada mais normal do que ver médicos e outros profissionais liberais trocando carros ou fazendo viagens de última hora sem qualquer tipo de planejamento. Eles sabiam que iam viajar ou que o carro já estava ficando velho mas mesmo assim realizam esses gastos como se fosse uma compra de impulso.
  1. Separe as contas correntes e os cartões, de forma que todas as receitas fiquem na PJ e as despesas pessoais não sejam pagas pela empresa. O pró-labore deve ser pago em forma de retiradas mensais, como o pagamento de uma conta qualquer pela empresa. Isso evita muitas confusões e problemas.
  2. Estabeleça um valor de retirada fixa. O pró-labore (salário dos sócios da PJ) não deve ser definido de acordo com a necessidade da pessoa física. Se todo lucro é retirado pelo dono, a empresa fica sem investimentos e sem capital de giro. Portanto é importante se planejar financeiramente para que o orçamento pessoal não ultrapasse o valor estabelecido das retiradas.
  3. Faça uma reserva mensal pessoal, de forma que objetivos como viagens, troca de carro e até mesmo aposentadoria sejam feitas de forma programada dentro desse mesmo orçamento, sem retiradas extras da empresa. O correto é que os custos de uma festa de aniversário, por exemplo, sejam cobertos com uma reserva feita nos meses anteriores já pensando nesse gasto. E não com uma retirada maior, que é o mais comum de acontecer. Para a aposentaria, o recomendado é que se guarde algo em torno de 10% da retirada mensal.
  4. Faça uma reserva mensal para o consultório/clínica. A atualização profissional, modernização dos equipamentos e investimentos em especializações e cursos, por exemplo, é uma demanda constante dos profissionais da saúde. Sabendo disso, é importante fazer uma reserva de pelo menos 5% do faturamento mensal para esse tipo de reinvestimento.
  5. Conheça as opções financeiras do mercado. Vá até o seu gerente e busque possibilidades de tarifas mais baratas para serviços bancários como pacote de manutenção de conta, anuidade de cartões, emissão de boletos e até mesmo taxa de máquinas de cartão de crédito.

Além disso, encontrar investimentos mais rentáveis que a poupança (pelo menos) para deixar os recursos em conta é interessante para que o seu patrimônio rentabilize mais rápido.

  1. Preocupe-se com sua independência financeira. Muito comum vermos médicos que vivem um alto padrão de vida e possuem uma carreira muito bem-sucedida, mas que mantém um ritmo exaustivo de trabalho mesmo após os 60. Isso acontece porque, para manter esse padrão, necessitam de uma alta renda e de muitas consultas. Dessa forma, sempre invista uma parte da sua renda focando no longo prazo. Os juros compostos farão a maior parte do trabalho.
  2. Procure ajuda de profissionais, caso não se sinta confortável ou tenha dificuldade em levantar as informações necessárias, buscar bons investimentos e/ou fazer esse controle mensalmente. Contratar um funcionário de confiança ou um software que facilite o dia-a-dia também é recomendado se você não se sentir apto. O importante é começar.

 

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Autora:

Emanuella Gomes Xavier, CEA
Planejadora Financeira Pessoal da WG Finanças Pessoais e Especialista em investimentos CEA pela Anbima

 

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